CACOGRAFIA

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Que o fenômeno da Cacografia devia ser celebrado, isso tem lá suas controvérsias. Esse ato de escrever errado, comer letras, ter sílabas mal separadas, pode, e muito, dificultar alguma produção de sentido no final da leitura. Outros diriam que é apenas um lapso dentro da mente de quem lê, ganhando brecha para dar sentido muito pessoal à mensagem adquirida. É o nascimento do subjetivo.

Sendo positivo ou não para quem lê, uma coisa não é possível negar: a cacografia é o fenômeno mais inevitável para quem começa a encadear ideias em palavras. E não diria apenas sobre os tropeços dentro das palavras, ou as ausências gramaticais. Vou adiante, propondo que no começo da escrita, cacografia também é (e se não for, passa ser a partir daqui), o juntar dos cacos da memória, que possuindo ou não sentido explícito, são, com certeza, cacos quebrados de uma mesma forma anterior ao choque.

Uma vez que a língua é mutável e o dicionário é apenas uma constituição carente de ementas diárias, Cacografia acaba de se tornar também “contos em cacos”.